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Vereadores concedem homenagem especial a Kajuba
Luiz Carlos de Oliveira, carinhosamente conhecido como Kajuba, será homenageado hoje pela Câmara Municipal de São Pedro, a partir das 20 horas, em sua sede (rua Nicolau Mauro, 1.011, Vila Estela). Ele receberá das mãos do vereador Luiz Melado (MDB), autor da propositura, o título de cidadão são-pedrense.
Kajuba nasceu em Rio das Pedras, no dia 31 de dezembro de 1958. Um menino simples, que desde cedo carregava nos olhos o brilho dos sonhadores. Tem quatro filhos: três meninas e um menino, e três netos.
Ainda pequeno, com infância marcada pela pobreza e pelas dificuldades, foi para a Bahia, retornando depois ao interior paulista, fixando-se em Piracicaba, no bairro Santa Terezinha. Mas o destino traçava seus próprios caminhos: o pai de Kajuba conheceu um homem que havia comprado um sítio em Águas de São Pedro, no Loteamento Águas Claras, e foi convidado a cuidar do lugar. E, assim, a família se mudou, sem saber que aquela pequena cidade mudaria para sempre suas vidas.
Kajuba começou a estudar numa escola rural. E foi lá, com papel, lápis e timidez, que nasceu o apelido que o acompanha até hoje e por toda a vida. Lá, ao escrever a palavra “caxumba”, pedido pela professora, escreveu “cajuba”. As crianças riram, claro, mas mal sabiam que aquele “erro” se tornaria um nome conhecido em todo o país. Kajuba acabara de nascer. Luiz Carlos ficou somente nos documentos. Quando criança, praticou esportes, jogou basquete e futebol. No futebol, até ganhou prêmio como melhor goleiro. O melhor da região. Sempre com humildade, carregando no peito o orgulho de seu apelido.
Já em São Pedro, Kajuba, para sobreviver e ajudar a família, começou a limpar quintais com uma carrocinha. Foi nesse tempo que, num gesto simples e generoso, sua vida mudou de rumo: uma senhora pediu que ele desse uma volta com seu neto na carroça. Kajuba aceitou de coração, recusou pagamento, mas recebeu uma gorjeta que valia mais do que um mês de trabalho. Na semana seguinte, a mulher chamou Kajuba para conhecer uma família alemã, que também pediu para que os filhos dessem uma volta de charrete. Ali nascia o empreendedor. Trabalhava na semana e, aos finais de semana, levava as crianças para andar de charrete – algo que fazia com alegria, pois adorava os pequenos. Com esforço, economizou e comprou sua primeira égua, que batizou de Trina. E com Trina começou a fazer apresentações no Hotel São João, onde encantava turistas com apresentações com sua égua, na qual colocava fantasias, e todos depois se admiraram com a linda cor de seus pelos. Tão famosa quanto ele, Trina virou lenda. Os amigos diziam que na TV existia a Xuxa, famosa na época, e em São Pedro, o Kajuba, também famoso por suas apresentações e desfiles com sua égua.
Kajuba tem uma admiração e gratidão à Antonieta Eliza Ghirotti Antonelli, prefeita e mulher à frente de seu tempo, que fez do turismo uma força para São Pedro ser conhecida. Nas festas italianas e nos rodeios, Kajuba e sua égua eram estrelas. Era convidado para todos os eventos — e o povo amava sua presença. Seu carisma ultrapassou os limites da cidade: foi entrevistado pela TV Globo quatro vezes, participou na TV Bandeirantes do Programa “Sonho Maluco”, onde sua égua foi escolhida para fazer o programa. Apareceu também na TV Record. Kajuba e Trina estavam em todos os cantos. Toda essa exposição o deixava cada vez mais famoso. O pessoal vinha a São Pedro, para conhecer Kajuba, sua égua, e conhecer a cidade de São Pedro. Outra pessoa a quem Kajuba tem admiração é o Luizinho da Padaria Ramos, que, num momento crucial, assinou um documento a ele, confiando de olhos fechados. O gesto foi tão marcante, que o citou em uma entrevista nacional, emocionando Luizinho e mostrando ao país o valor da gratidão. Kajuba sempre diz uma frase: “Ser pobre não é nada, mas quando você tem alguém que dê um empurrão, você vai”.
Conheceu nesse meio José Jarbas Laudissi,o famoso “Zé da Ponta”, outro amante de cavalos,que fazia apresentações pelas cidades. Num desfile, Kajuba, com sua égua, desfilou junto com “Zé da Ponta”. Kajuba se admirou, quando alguns perguntaram ao Zé da Ponta quem era o peão e de quem era a égua, quando Zé da Ponta disse: “Esse é o Kajuba e essa égua é dele, não há dinheiro que a compre”. Era o respeito entre gigantes, e o início de uma amizade que dura até hoje.
Kajuba uniu sua paixão por cavalos e amor pelas crianças. Começou alugando cavalos para passeios na cidade, onde as pessoas diziam curar o estresse dos grandes centros. As pessoas vinham de longe para isso. E seu nome foi se fazendo. Guardou dinheiro e comprou seus próprios cavalos. O Rancho do Kajuba se tornava um empreendimento. Kajuba não desperdiçou a oportunidade que a vida estava lhe dando, sendo sempre grato por tudo!
O “Rancho do Kajuba” se localizava na área rural da cidade. E as pessoas que vinham o conhecer compravam áreas próximas ao Rancho para fixar residências ou ter um lugar para passar férias, fins de semana. Pessoas importantes queriam levá-lo aos Eestados Unidos, ao Texas, mas o medo de avião impediu que Kajuba fosse a terras estrangeiras. Mesmo assim, sua fama chegou até lá. A fama aumentando a cada dia. Segundo Kajuba, "o cavalo aproxima as pessoas, faz amizades”. Conheceu grandes nomes, como Fernando Henrique Cardoso, conheceu a Esplanada (morrendo de medo dos seguranças que havia lá). Tudo isso proporcionado por seus passeios à cavalo. Conheceu também o dentista de Ayrton Senna, que vinha cavalgar em São Pedro. Com ele, foi à casa de Ayrton, conhecendo seus pais. Inclusive teve a oportunidade de colher morangos do jardim, com o pai de Senna. Sim, o menino que limpava quintais agora colhia morangos com lendas! Conheceu também o sobrinho de Ayrton, que também corre atualmente.
Kajuba, com seu rancho, sua paixão por crianças, começou a fazer cavalgadas com crianças especiais. Uma delas, que não falava, em quarenta dias de cavalgada, pronunciou o nome do cavalo, e falou “mamãe” e “papai”, levando sua genitora às lagrimas. Kajuba, de coração imenso, pensouem ampliar o projeto –mas esbarrou na burocracia. Faltavam profissionais, autorizações, estrutura, mas o amor... esse sempre sobrou. Hoje, Kajuba diz com orgulho: “Foi o cavalo que fez tudo por mim”. E com os cavalos construiu não só um negócio, mas uma comunidade, uma família de amigos, uma cidade que o abraça. Seu rancho, simples e acolhedor, é chamado de paraíso por gente importante que ali encontra paz – algo que, nas grandes cidades, nem segurança particular consegue garantir. Kajuba realizou muitos sonhos que nem imaginava, mas acalentava um sonho maior: conhecer Interlagos e ver uma corrida de perto. Realizou esse sonho. Ficou por três dias no autódromo. Andou com mecânicos, entrou nos carros. Conheceu Interlagos de ponta a ponta. Quando a Rede de TV Bandeirantes soube que ele estava lá, queriam fazer reportagem com o famoso Kajuba, que disse: “Vim aqui paraver uma corrida!”. Kajuba teve ideia, um dia, de fazer uma prova: cavalo versus moto. Foi o maior sucesso. Faltou cavalo para tanta gente querendo participar, tendo inclusive filmagens para a TV.
Kajuba, homem simples, de fé, passou por obstáculos dificeis. Perdeu tudo, mas sua fé e perseverança o fez vencer novamente! A égua querida por Kajuba ficou doente. Trouxeram até medicamentos dos EUA para seu tratamento. Kajuba cuidou dela por um ano e meio, mas infelizmente, ela morreu. Veio a pandemia, as atividades pararam e, com elas, a alegria que ele tanto gostava de oferecer. Entretanto, Kajuba resistiu, como sempre fez, e seu Rancho voltou com força total. Hoje, Kajuba é um homem pleno. Conseguiu muito mais que aquele menino pobre imaginava! Diz com a alma: “Se eu morrer hoje, morro feliz”. É grato a Deus e às pessoas que o incentivaram. Agradece à cidade, aos prefeitos e ao Turismo, que sempre alavancaram seu Rancho.
Kajuba não chegaria até onde chegou, se nãotivesse garra, perseverança, vontade e paixão pelo que faz. Segundo Kajuba, “quem trabalha não tem obstáculo”. Kajuba pensa em se aposentar, passar o bastão e ficar nos bastidores, afinal, atende hoje à terceira geração de famílias que vão ao Rancho do Kajuba, e, quem sabe, até fazer algumas viagens – mas sempre por terra, porque o medo de avião ainda mora nele. Diante de uma vida tão rica em coragem, simplicidade, superação e amor, é mais do que justo reconhecer Luiz Carlos de Oliveira, o eterno Kajuba, como cidadão são-pedrense. Um homem que não só ajudou a construir a cidade, mas que a levou ao coração de milhares, com um cavalo, uma charrete – que ainda tem guardada em seu rancho – e um sorriso.
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